Inovar - Acesso

Europa positiva: melhor avaliação, + escola

Clube de Robótica

Blog do Clube Europeu

Projeto Llave Maestra: Abrir Puertas, Derribar Murallas

Projeto Atrévete a Emprender

Blog ERASMUS+

História

Versão para impressão PDF

ALPIARÇA – Um pouco de história…

Arqueologia


O Paleolítico é o mais antigo e o maior período da história humana.
É ao Paleolítico Inferior e Médio que se reporta a história de Alpiarça. É onde se encontram alguns dos sítios mais antigos de todo o país e que se podem datar na perfeição, uma vez que ainda possuem os seus estratos primários, ou seja, sem serem revolvidos.


O Vale do Forno onde se localizam as estações arqueológicas do Paleolítico Inferior e Médio


Vale da Atela


A região de Alpiarça, pela sua situação geográfica, (na margem esquerda do Tejo), apresenta vários níveis de ocupação humana desde o Paleolítico Inferior até à época romana.
A presença humana nesta região data de há mais de 100.000 anos. Os terraços fluviais do Tejo junto à vila fazem dela uma zona importante no estudo do Quaternário. Na zona do Vale do Forno foram encontrados depósitos e indústrias líticas datáveis do Paleolítico Inferior.
A zona do Vale do Forno já é conhecida desde os anos quarenta, mas só nos anos oitenta é que começaram os trabalhos arqueológicos na zona de Milharós.
Como provam as estações arqueológicas, a ocupação humana na região de Alpiarça data de há milhares de anos. Mas ainda não existem respostas para todas as perguntas, desta forma, seria muito útil e necessário fazer trabalhos de Arqueologia quer a nível da prospeção quer a nível da escavação.
A história local e a preservação do património podem ser o ponto de partida para a realização na escola de trabalhos que visem sobretudo o estudo de questões relacionadas com a terra onde vivemos. Nesse sentido é de grande importância que se façam estudos na escola que estimulem o pelo património local, quer a nível arqueológico artístico, etnográfico histórico, museológico ou sobre outras áreas do património cultural.


::Locais Arqueológicos ::

Por: Eurico Henriques; Neli Martins; colab. Nuno Prates *

O homem habita a região de Alpiarça há milhares de anos. Assim o comprovam as estações arqueológicas já identificadas.


In "Cerâmica de Alpiarça - C.M. Alpiarça"


São célebres as necrópoles de Alpiarça, tendo-se empreendido há poucos anos a escavações que contribuíram para um maior conhecimento das mesmas.
A posterior ocupação romana é comprovada pelos vestígios encontrados que, não tendo a grandiosidade de outros existentes no país, testemunham a sua presença e a importância desta área.



A riqueza dos solos e a necessidade do seu aproveitamento para a agricultura explicam, em parte, o desaparecimento de muitos vestígios materiais.
O desconhecimento ou a falta de sensibilização para esta temática poderão ter igualmente contribuído.
Deste modo pensamos que se facilitará uma tomada de consciência para a salvaguarda e para uma mudança de atitudes para com os legados do passado, se for desenvolvido um trabalho de divulgação do património descoberto, acompanhado de medidas no sentido da sua preservação.
A escola pode ter um papel ativo neste processo, ao sensibilizar e motivar os alunos para o estudo da história local e, desta forma, estimular o gosto pela proteção do património.
Após uma pequena descrição do Paleolítico na Região de Alpiarça, vamos agora conhecer melhor as outras estações arqueológicas. O Alto do Castelo, o Cabeço da Bruxinha, o Tanchoal, o Meijão e o Cabeço da Bruxa têm uma cronologia posterior ao Vale do Forno.

O povoado do Alto do Castelo localiza-se numa elevação entre as necrópoles do Tanchoal e do Meijão, como não havia condições naturais de defesa foi construído uma muralha de terra batida antecedida por um fosso, que servia de defesa; o "muro" tem uma extensão que atinge os 1.150 metros e o "oppidum" (povoado fortificado) tem cerca de 30 hectares.


O Alto do Castelo possui uma cronologia anterior à época romana, por ter sido ocupado durante a Idade do Bronze Final ou Ferro. No entanto, não foi abandonado depois desta época pois sofreu também ocupação romana, visto que se encontram materiais à superfície do período romano. Este poderá ter sido um castro romanizado.


Fortificação no Castro Romanizado

Os materiais desta estação são entre outros: mós, fragmentos de ânfora, uma ânfora completa feita à roda, moedas romanas e fragmentos de cerâmica comum.

O Cabeço da Bruxinha é um pequeno outeiro que, pela disposição em que está, parece ter sido separado do Alto do Castelo, por uma larga depressão. A separação poderá ter ocorrido por questões de defesa, ou até mesmo quando o Alto do Castelo era habitado.

A ocupação do Cabeço da Bruxinha data, provavelmente, da Idade do Bronze Final ou Ferro, mas sofreu também ocupação romana.
Os materiais que foram encontrados nesta estação arqueológica são da época romana, a saber: cerâmica comum e fragmentos de cerâmica de construção.


Cabeço da Bruxinha

Na região de Alpiarça também se conhecem necrópoles da Idade do Bronze Final: as estações do Tanchoal e do Meijão. O ritual funerário, utilizado nestas necrópoles, era a incineração. As cinzas daí resultantes eram colocadas em pequenas urnas cerâmicas e enterradas. É neste ritual que reside a diferença, sem antecedentes locais, este ritual poderá ser explicado como consequência de contributos de outros povos que vieram por via continental.

Ambos os campos de urnas (necrópoles) apresentam materiais cerâmicos, na sua maioria de engobe cinzento escuro, com diversas formas. Estas urnas, encontradas nestas estações, deram origem à designação de "Cerâmica de Alpiarça" e também de "Cultura de Alpiarça", bastante conhecida no campo da Arqueologia.

Estas duas estações arqueológicas situam-se próximo do Alto do Castelo. Do espólio encontrado nestas necrópoles, há a destacar no Tanchoal vários fragmentos de vasos de formas raras, várias urnas de tamanho médio e grande, um jarro feito à roda e um machado de gume curvo.

No Meijão foram ainda encontrados vários tipos de urnas de fabrico manual, taças carenadas de fabrico manual e vários fragmentos de braceletes de bronze.

 

Cabeço da Bruxa
O Cabeço da Bruxa localiza-se na Quinta da Goucha, a cerca de 600 metros a Oeste da estrada nacional 118 de Alpiarça a Almeirim. Consiste numa elevação de areia de cerca de 6 metros sobre a planície de aluvião.

O Cabeço da Bruxa durante o Calcolítico era um povoado. Existem materiais arqueológicos chamados ídolos-cornos e a cerâmica campaniforme, que provam esta ocupação. Durante o Bronze Médio, o Cabeço foi ocupado como necrópole onde foram encontradas, pelo Instituto Arqueológico Alemão, três urnas "in situ", com espólio associado. Durante a época romana, este local é ocupado como povoado.
Os materiais arqueológicos encontrados no Cabeço da Bruxa têm várias cronologias. Foram encontrados alguns materiais da Pré-História, nomeadamente lâminas de sílex e machados líticos, ídolos de cornos, fragmentos de vasos campaniformes, urnas e braceletes de bronze.
Segundo alguns autores, no termo de Alpiarça passava uma das vias romanas em direção a Mérida, como prova desse facto são os vários marcos miliários encontrados, dedicados ao Imperador Trajano.


Até ao Século XX

Alpiarça, durante a Idade Média, não foi uma povoação com grande importância, pois não se conhecem grandes acontecimentos datados deste período. Apenas chegaram até nós um conjunto de acontecimentos que nos ajudam a reconhecer a realidade da época.

Por : Nuno Prates*

 


:: ALPIARÇA DA IDADE MÉDIA À ÉPOCA CONTEMPORÂNEA

Em 1295, surge a primeira referência escrita, que se conhece, mencionando o nome desta povoação. Nas Inquirições de D. Dinis aparece o termo Alpearça, mas pouco mais se sabe. Mais tarde, em 1311, verifica-se mais uma vez uma referência a Alpiarça, num arrendamento a Martim Anes, boieiro, este menciona a existência de uma herdade além "dalpearça".
De 1338 é datada uma carta de coutada passada pela Chancelaria de D. Afonso IV, e destinada a Pedro Eanes, escrivão da dízima na Ribeira de Santarém. Da carta podemos retirar algumas informações como por exemplo a localização do dito Reguengo de Alpiarça, situado "a par do moinho de vento, no limite da vila de Santarém". Na carta há informações sobre a propriedade e destaca-se o facto desta não dar lucro, visto haver muito gado que a invadia e também porque os cavaleiros da vila de Santarém entravam nesta propriedade, fazendo várias pilhagens.
No século XIV já Alpiarça (Alpearça) existia como povoação. O povoamento destas zonas terá começado logo a seguir à Reconquista.
Outra das referências que se conhecem sobre Alpiarça diz respeito ao seu rio: o rio Alpiarça ou Vala Real. Este era no reinado de D. João I coutada real. Era muito comum os monarcas usufruírem de terrenos próprios para pescarem e caçarem, eram as coutadas reais, aqui só unicamente o rei poderia caçar ou pescar, outros para o fazerem teriam que ter uma autorização especial. Em relação ao rio Alpiarça, há notícia que em 1436, o povo do concelho de Santarém faz uma petição ao rei, para que naquele rio se pudesse pescar com covões, pois pescar com cana não era rentável. O rei D. Duarte cede ao pedido e autoriza a utilização dos covões em determinadas zonas do rio.
Passados três anos o concelho de Santarém, nas Cortes de 1439, volta a manifestar-se contra a coutada real do rio Alpiarça, alegando que os rios são livres e que todos deveriam ter direito de pescar, o povo manifestava-se contra alguns poderosos que o proibiam de pescar no tempo do sável.

Passados alguns anos, o regente D. Pedro declara livre a pesca no rio Tejo (1442), no entanto o rio Alpiarça continua a ser coutada real em algumas zonas. O rio Alpiarça aparece-nos sempre associado à abundância de peixe, talvez fosse esta a razão pela qual ele era considerado coutada real. O padre Luiz Cardoso, no Dicionário Geográfico (1747) referencia a fertilidade das terras junto às margens do rio Alpiarça, assim como a abundância de peixe, nomeadamente fataças e barbos.
O rio Alpiarça é coutada real desde o reinado de D. João I até ao século XVIII. Tal como o rio também a charneca de Alpiarça foi coutada real de caça, no vale da Atela caçavam-se raposas, perdizes e javalis.
Outras das referências a Alpiarça aparece-nos na obra de Gil Vicente "Nau dos Amores" (1527), aqui é referido que a povoação pertencia ao mestre da Ordem Militar de Avis, recebendo rendas de Alpiarça.
Na contagem da população mandada fazer por D. João III, entre 1527 e 1532 (Numeramento Joanino), aparece-nos a primeira referência à população existente em Alpiarça.

Através do numeramento podemos constatar que era povoada a aldeia da ponte de Alpiarça (36 fogos), mas também os arredores, como por exemplo a Quinta da Lagoalva.
Durante a Época Moderna Alpiarça continua a pertencer ao arcediagado e comarca de Santarém. No entanto já é freguesia, pois, segundo o padre Luíz Cardoso, existe a informação que em 1747, compreendia dentro de si e em toda a freguesia o número de 300 vizinhos.
A igreja de Alpiarça pertencia à Colegiada de Santa Maria de Alcáçova, o pároco era cura e recebia de côngrua um moio (medida equivalente a sessenta alqueires) de cevada, um de trigo, uma pipa de vinho e cinco mil e seiscentos em dinheiro.
No século XVIII, Alpiarça cumpria os deveres e gozava dos direitos estabelecidos no foral de Santarém, por pertencer ao termo de Santarém.
Com o terramoto de 1755, Alpiarça não sofreu nada, pois não houve destruição de nenhuma casa. O centro do aglomerado populacional localizava-se na zona da atual praça velha, ficando a igreja afastada do centro, esta situava-se onde hoje existe o Jardim Municipal.
Ao longo do século XVIII, a agricultura de Alpiarça vai sofrer com um decreto do Marquês de Pombal, publicado em 1756, decretando o arranque das vinhas nos campos de Alpiarça. Esta cultura vai ser substituída pelos cereais.
Durante o século XVIII / XIX, assiste-se a grandes cheias, que muito vêm dificultar a agricultura da região. Em Alpiarça como a principal cultura eram os cereais, existem grandes dificuldades para os lavradores. A rainha D. Maria I vai em 1789, atender ao pedido dos lavradores de Alpiarça, autorizando de novo a plantação da vinha.
Durante o reinado de D. Maria I, constata-se um especial interesse pela agricultura, não só no campo prático mas também no campo científico. É nesta época que se realizam grandes obras no Ribatejo, como por exemplo a construção e arranjo de tapumes, tapadas e valados. Por volta dos anos 70 de 800 são construídos uma tapada em Almeirim e outra em Alpiarça.
Ao longo do século XVIII / XIX, a cultura da vinha continua a crescer e vem pôr fim aos prejuízos, que eram inúmeros para o cultivo de cereais.
Em 1836, a freguesia de Alpiarça deixa de pertencer ao concelho de Santarém, e passa para o concelho de Almeirim.
Aquando das invasões franceses, esteve aquartelado em Alpiarça, o alferes Bernardo Sá da Bandeira, futuro marquês Sá da Bandeira, pois Santarém estava ocupada pelas tropas de Massena.
Em 1824, passou por Alpiarça D. Miguel. Este esteve, com suas irmãs, na Quinta da Gouxaria, que era propriedade dos marqueses de Fronteira. Esta sua estada em Alpiarça ficou marcada pelas corridas de touros pela noite dentro.
A Quinta da Gouxaria era, como já foi referido, propriedade do marquês de Fronteira, mas estava arrendada ao capitão-mor de Santarém, José Salinas de Benevides. Na quinta, o dia era passado na caça às lebres, enquanto a noite era passada quase sempre na Casa dos Sousas em Alpiarça, onde existia baile até muito tarde.
Nesta época o Dr Francisco Raymundo da Silveira dirigia algumas touradas em Alpiarça que atraíam inúmeros espectadores.
Através do recenseamento de eleitores do Concelho de Almeirim, conseguimos conhecer um pouco a freguesia de Alpiarça. Com efeito, em 1845 existiam na freguesia 51 proprietários, 6 fazendeiros, 3 lavadores, 1 boticário, 2 bacharéis, 1 cirurgião entre outros. Para fazer parte deste recenseamento era necessário saber ler e escrever, desconhecendo-se assim a profissão de muitos analfabetos. Pode-se, no entanto, observar a quantidade de profissões ligadas ao sector agrícola.
Quanto ao comércio, existia nesta data na freguesia 10 mercearias, 6 padarias, 6 tabernas, 2 boticas e 1 vendilhão.
No ano 1846, Alpiarça sob comando de Passos Manuel, foi uma das primeiras terras da Estremadura a participar na Revolta da Maria da Fonte.
Alpiarça, ao longo de todo o século XIX, foi local de grandes perturbações como: crimes, roubos, assassinatos, agressões à autoridade e desordens, talvez por este motivo a freguesia ficou conhecida como "Alpiarça... gente de má raça".
As ideias republicanas estiveram sempre bem presentes em Alpiarça, que em 17 de Fevereiro de 1906, ascende à categoria de vila.
Na vila de Alpiarça, ocorreram nos últimos anos da Monarquia, grandes comícios de propaganda republicana.
Alpiarça atravessa uma grande crise no sector vinícola, pois havia uma grande produção e o vinho não tinha preços muito elevados (no século XVIII, a "filoxera" tinha acabado com as vinhas desta região, havendo de seguida uma grande replantação).
Por toda a parte existia um clima de grande instabilidade, que se fazia sentir na falta de trabalho, nos salários baixos, na fome e na pobreza. Perante este quadro a República aparecia como forma de solução de todos os problemas da população. Os Homens de Alpiarça queriam a República, sendo esta vila considerada como a mais republicana.




As aclamações da multidão à chegada dos líderes republicanos


Em 1907, quando se fazem as jornadas republicanas pelo Ribatejo, é em Alpiarça que se dá uma das maiores receções aos republicanos: João Chagas, Alexandre Braga, António José de Almeida, Bernardino Machado e João Menezes. A organização da receção aos republicanos é feita por alguns alpiarcenses, salientando-se o Dr. Joaquim Romão. A comitiva passa pelas ruas da vila e a receção é entusiasta.



José Malhou falando ao povo de uma janela de sua casa


Da varanda da casa de José Malhou, este e António José de Almeida falam ao povo. Depois deste comício há uma adesão à República de quase 100%.
A 9 de Fevereiro de 1908, o povo de Alpiarça aprova uma moção contra o governo de João Franco e, neste mesmo dia, recebe a população a visita de João Chagas. Quando chega a Alpiarça, acompanhado por José Relvas e Luíz Morotte, o povo espera-o à entrada da Quinta dos Patudos e aí mesmo exige um comício. Perante o discurso de Joaquim Romão, José Relvas e João Chagas, o povo aplaude com entusiasmo.
Aquando das eleições, o partido republicano obteve em Alpiarça 580 votos, enquantoque o partido monárquico ficou pelos 12 votos; este foi dos melhores resultados para o partido republicano. João Chagas ainda voltaria a Alpiarça antes de 5 de Outubro de 1910, para participar numa conferência, juntamente com José Relvas e Ricardo Durão.
À causa republicana, ficarão sempre ligados nomes de alguns homens desta vila como: José Relvas, Manuel Duarte, Ricardo Durão, João Maria da Costa, Jacinto Mártires Falcão, Joaquim Romão, José Malhou e António Guilherme Meira.
Alpiarça é elevada à categoria de concelho, pela Lei n.º 129, de 2 de Abril de 1914. Desta forma deixa de pertencer ao concelho de Almeirim, constituindo um concelho autónomo com uma única freguesia: Alpiarça.
A Comissão Executiva do concelho de Alpiarça era constituída por: Manuel Duarte (presidente), José Joaquim das Neves, Manuel da Silva Tendeiro, José Nunes Pedro e João Augusto dos Mártires Falcão.
O concelho de Alpiarça foi em tempos composto por outra freguesia: a freguesia de Vale de Cavalos; esta pertenceu ao concelho de Alpiarça entre 1919 e 1926. Depois desta data, o concelho de Alpiarça continuou a ser formado por uma única freguesia.

Bibliografia :
PRATES, Nuno; REI, Seara

Alpiarça e a sua História, Trabalho apresentado na cadeira de História Moderna de Portugal,
Faculdade de Letras - Universidade de Coimbra, 1997. (Aguarda publicação).
* Licenciado em História, Variante de Arqueologia


Monumentos

A Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça é, sem dúvida, em termos de monumentos, o ex-líbris de Alpiarça. No entanto, mais alguns monumentos se poderão visitar. Destacamos a Igreja Paroquial de Alpiarça, não esquecendo os mais recentes trabalhos do escultor Armando Ferreira, natural de Alpiarça, que através da sua obra muito tem contribuído para a divulgação do concelho.

:: Monumento a José Relvas
Obra do escultor João Limpinho

Este monumento, inaugurado em 31 de Outubro de 1982, destina-se a homenagear este habitante de Alpiarça, que também foi um vulto da 1ª República e que teve um papel preponderante na elevação de Alpiarça a concelho. De realçar também o seu legado económico e cultural concretizado nas suas propriedades e pela sua casa de habitação verdadeiro pólo de erradicação cultural pelo seu recheio e que é conhecida como a Casa Museu dos Patudos quer a nível nacional como internacional.


:: Monumento ao 25 de Abril
Obra do escultor Armando Ferreira

- Inaugurado no dia 25 de Abril de 1995, fica situado no Largo Salgueiro Maia também inaugurado na mesma data.
Este monumento foi executado pelo Escultor Armando Ferreira, que na no acto da inauguração pronunciou a seguintes palavras:
"Quero saudar todos aqueles que estão com o 25 de Abril e que ama a Liberdade.
Inaugurar um monumento alusivo ao 25 de Abril, é ter consciência do grande significado desta tão desejada mudança de Regime Político, que teve lugar no nosso País em 1974, tempos muito difíceis, homens, mulheres e crianças viveram vidas de agonia.
Não vamos esquecer que durante muitas décadas a palavra Liberdade não vinha nos livros e, os Poetas tinham de ignorar e, da nossa boca pronunciada, tinha de ser ao ouvido e em voz muito baixa, este é o maior direito do Homem hoje conquistado.
Fim à morte sem sentido e a todos que me querem tirar a voz, o vento sopra Liberdade, assim nasce uma nova Sociedade."



:: Busto ao Dr. Hermínio Duarte Paciência
Obra do escultor Armando Ferreira

Situado na Instituição José Relvas, inaugurado no dia 2 de Junho de 1995, este monumento homenageia este ilustre democrata pela sua atividade em prol de Alpiarça e dos Alpiarcenses.
O Dr. Herminio Paciência dedicou 25 anos da sua vida à Instituição José Relvas.
Exerceu também atividade como oftalmologista de forma gratuita, chegando a pagar, tanto medicamentos como óculos aos pacientes que o procuravam no seu consultório e eram de reduzidas posses.
Como empresário agrícola, também a sua ação foi notória, porque em matéria salarial avançava com propostas superiores à média, levando assim os restantes lavradores a seguirem o seu exemplo.
A implantação deste busto da autoria do escultor alpiarcense Armando Ferreira tem como objetivo por um lado o perpetuar a sua memória e por outro para que o seu exemplo seja para os mais novos.



:: Solidariedade
Obra do escultor Armando Ferreira



Estátua de homenagem aos Bombeiros Municipais, foi inaugurada a 6 de Março de 1999 por ocasião do 50º aniversário da Corporação.

Acerca deste monumento escultórico considerou o autor que:

"...se pretende protagonizar uma união mais coesa, mais fortalecida dos valores fundamentais da solidariedade, bem como o reconhecimento do valor humano inestimável, que durante 50 anos esta corporação de Bombeiros ofereceu às populações, pondo em causa as suas vidas e a dos seus familiares a troco de uma certa indiferença do próprio sistema envolvente".

Acrescentou ainda que:

"...este é sem dúvida o lugar propício para a implantação desta escultura".

 



:: Fonte de Vida
Obra do escultor Armando Ferreira
Inaugurada a 2 de Abril de 2001.
Memorial do lugar Alpiarça

 

"Zona de aluvião que os tempos geológicos foram acumulando numa interminável tarefa de milénios, aqui se fixaram populações vindas de diversos pontos do interior, também amante do Tejo, diria o poeta e ao Tejo se deve quase tudo. Do fluir calmo do verão à força imparável das cheias invernais, ponto de referência do homem que se ligou à terra e com ela se fundiu neste espaço muito próprio: terras de "Borda d'Água".

Esta escultura que simboliza germinação. Terra grávida que a água fecunda e o sol permite desabrochar em simbiose perfeita, produzindo fonte de energia regeneradora com raiz de maturidade e força telúrica, gerando um espaço de abundância, árvore magnânima que dá sem exigir.

Dei o nome a esta escultura fonte de vida porque ela representa a força mágica da transformação de um ventre em vésperas de oferenda.
Embrião de vida que emerge num milagre periodicamente repetido.

Aqui nasceram gerações, aqui foi maternidade hoje é lugar de crianças e idosos, noutros tempos foi o princípio, hoje é o meio e o fim, surge assim como natural a necessidade de implementar neste espaço, este símbolo que vai dar raiz ao futuro, transmitindo a omnipresença da conjugação das forças naturais da fertilidade e o que a mesma emana, na génese e modelação da região e do povo que somos.



:: Ao Ciclismo
Inaugurada a 2 de Abril de 2005.


A representação que faço do realismo na minha obra tem como objetivo oferecer vitalidade destas grandes máquinas humanas, desenvolvendo na competição forças físicas que estão para além da nossa expansão racional. O realismo vai buscar o seu enorme poder ás suas formas atormentadas, encerradas na inefável pungência humana, não se esconde por trás de outro qualquer estilo não tendo prazo de validade, passa e resiste em todos os tempos e gerações.

Este conjunto escultórico foi concebido a partir da ideia, de fazer perpetuar emblematicamente a realidade do ciclismo de Alpiarça em Portugal, "primeiro entre os primeiros", não podendo nem devendo perder essa memória ficando assim consagrada.
São muitos os "vencedores" exibindo o nome de Alpiarça, Nesta terra subordinada a contornos de crenças estáticas germinaram sempre grandes valores tanto no ciclismo como noutras atividades culturais e científicas que tanto nos honram.
Homens com variadas profissões se propuseram a correr de bicicleta centenas de provas perfazendo milhares de quilómetros sem preparação física, técnica e apoio adequados. Esta homenagem é apenas uma parte daquilo que estes homens merecem.
Neste conjunto escultórico o "sprinter e vencedor" são ambos ciclistas de Alpiarça. Tendo a intenção de fazer representar os lugares cimeiros que ocupamos na história do ciclismo e também o valor da entreajuda e do sofrimento por troca de se ser herói. O "sprinter" veloz no seu percurso consciente do seu valor atlético impõe a velocidade que os outros não conseguem acompanhar.
O "vencedor" num momento heroico eleva os braços e exibe nas mãos bem alto o nome de Alpiarça, não foi um atleta mas sim todos os que contribuíram para este protagonismo nacional. Pormenores não faltam da vaga e expansão que o ciclismo da Alpiarça teve, há centenas de histórias provam o que não posso deixar de referir – a tendência do não conformismo, que imperava por parte de todos os intervenientes desta modalidade, Foi esta forma de ser de ciclistas, treinadores e familiares, que proporcionou a expressão que Alpiarça teve no mundo do ciclismo.


:: A melhor Casta
Obra do escultor Armando Ferreira
Inaugurada a 25 de Abril de 2005.

 

Por mais esforços que se façam, evocados em discursos retratados em várias formas de arte, nunca poderemos reconhecer na totalidade a valência mais preciosa que a natureza lhe incumbiu.
Uma fonte criadora emanada de fertilidade gera a vida, é sinónimo do amor da esperança , da dor, da perfeição e da beleza.
Foi envolvida com passados de amarras preconceituosas, percorrem em tantas gerações caminhos agrestes e impiedosos de subidas sem fim, onde o cansaço foi vencido pelo "Querer", em todos os momentos lutou para se libertar das forças que a escravizaram e a esmagaram.
Faço esta alegoria ao vinho, com a criação desta escultura, onde não dispensei a figura "Mulher", porque encontro no seu todo uma corrente poderosa de energia e considero a mais alta expressão dos poderes criativos e visuais do homem.
Num gesto de espreguiçar para um novo dia, de sorriso aberto e confiante, desperta atenções apregoando "A Melhor Casta" e anuncia a necessidade da propagação das mesmas para a nossa região.
A transparência das suas vestes tem como intenção representar todas as mulheres de todos os tempos, ligadas á temática vitivinícola, gerações do passado e do presente.
Querendo o nu representar nesta alegoria ao vinho todas as mulheres, também é uma bandeira à conquista da sua própria liberdade, à sua beleza e ao seu encantamento vinhateiro por excelência agitado e maravilhoso.
Tendo verdadeira consciência que a temática do vinho tem muitas gerações e continua a estar encutida na alma dos alpiarcenses, hoje com técnicas já bastante evoluídas não pude dispensar emblematicamente a "Mulher", porque em todos os espaços laborais ela está presente, desde o vindimar dos cachos passando pela laboração nas adegas, até á enologia .


:: Dr. Hermínio Duarte Paciência
Obra do escultor Armando Ferreira
Inaugurada a 23 de Abril de 2007


" Ao Dr. Hermínio Paciência

Há comportamentos na vida de homens, que só por vezes depois de suas vidas, conseguimos refletir e sentir conscientemente qual foi a sua verdadeira dimensão.

Não será com a realização desta simbologia escultórica e sua inauguração, que deva findar os momentos de reflexão e identificação, mas antes deve estar aberto a interrogação de todas as pessoas, e aquelas que frequentem este espaço de promoção do conhecimento no sentido de procurar perceber o porquê desta tentativa de materialização das referências deste notável homem, Dr. Hermínio Paciência, de forma a identificarem-se com o espaço e de atribuírem significado a esta consagração, que pretende ser viva e dinâmica em todos os tempos.
Nós alpiarcenses, só participamos neste reconhecimento se ao refletirmos, sentirmos verdadeiramente as intenções deste homem carismático norteado por princípios culturais e de elevada moralidade, tendo também presente o quanto foi importante a sua paixão humanista, que trouxe tantos benefícios em prole do bem-estar de todos os que necessitaram da sua ajuda.
A dinâmica do conjunto escultórico traduz esse homem de sabedoria e confiança, médico distinto e de grande benemerência, agricultor com respeito pelo próximo, protetor dos trabalhadores, solidário com os pobres, lutador pela causa da liberdade, tendo feito parte do movimento diretório democrático e social da campanha do General Humberto Delgado.
Em suma, o que encontro na sua pessoa é tudo o que a razão humana deve sustentar – Perfeição e Transparência, qualidades estas materializadas neste conjunto constituído por dois cubos, que sendo figuras perfeitas formadas por seis faces rigorosamente iguais, representam a Perfeição, cuja disposição que adquirem tem a intenção de representar a Transparência, que estão em ligação permanente a si próprio.
O movimento dado à escultura gestualizada de comunicabilidade, representa a dinâmica da sua vida. Por conseguinte, protagoniza o homem de carácter participativo; compromissos partilhados; planificação com sabedoria; decisão com humildade; sustentação da dedicação do percurso da sua vida procurando sempre valorizar a prática da competência, e, também homem de impulso democrático.
Em gesto de ligação ao terceiro elemento, a esfera, figura anti-estática, que simboliza o entusiasmo enérgico do seu carácter sempre em movimento na aurora da sua vida, endereçando com determinação e gratuitamente a sua experiência como força primária para todos que queiram ser futuro.

Bem hajam a todos.

Armando Ferreira"

fonte: Câmara Municipal de Alpiarça

© 2009 Agrupamento de Escolas José Relvas - Alpiarça
Powered by Joomla! | Ficha Técnica